" Se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento, não houve harmonia entre ação e pensamento."

"Se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento, não houve harmonia entre ação e pensamento." - Renato Russo
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quinta-feira, 24 de junho de 2010

IT

Reconhecendo algumas obras do Stephen King num primeiro momento, fui me interessando e acabei lendo quase meia dúzia de livros dele, em algum momento o considerei o mais notável escritor do gênero, e realmente o é considerado tal título confirmado pelos números de best sellers produzidos por ele, mas obviamente confirmando isto estaria cometendo uma injustiça com grandes escritores de horror e suspense e todos os seus subgêneros que certamente mereciam ao menos uma parte do reconhecimento de S.K. Com o passar do tempo fui reparando uma forçação de barra em sua narrativa, quase como um padrão que limitava seu estilo e repelia de certa forma alguma potencial de renovação ou afirmação de originalidade, explorando assim sempre um lado místico da personalidade humana, lembranças reprimidas, traumas de infância e "locais" mal assombrados, personagens híbridos como monstros, pragas virais e etc, instabilidade mental e fantasmas são elementos comuns de suas histórias, juntamente com personagens estruturados por camadas que permitem níveis de identificação.
Muitos dos seus livros ganharam traduções para diversos idiomas e também uma parte de sua obra foi adaptada para o cinema e outros formatos, o que o tornou bem POP e consequentemente uma máquina de produção dessas histórias, levando-o a trabalhar em roteiros, argumentos para filmes e se envolver em todo tipo de projeto até acabar por saturar-se de alguma forma. O primeiro livro que li foi Carrie, a estranha, pouco depois já comecei O Iluminado. Ambos os títulos contam com adaptação para o cinema, mas o mais válido citar é a versão do O Iluminado, estreada por Jack Nicholson e dirigida pelo ilustríssimo Fodelão Stanley Kubrick, que consagrou o título como um clássico da sétima arte, dando de alguma forma aos personagens e contexto da história um tom mais realista, apresentando a instabilidade mental  e as crises de Mr. Torrance pelo viés do factual isolamento, deixando o debate de uma presença sobrenatural que o motivaria em segundo ou talvez terceiro plano, algo que não agradou o autor da obra original, e talvez parte do seu público, mas que eu prestigiei de forma que chego a preferir o filme ao livro, apesar de ainda acha-lo muito bom.
Depois de algum tempo li o Cemitério, e apesar de hoje achar meio batida a história gostei de lê-la na época e principalmente da Pet Sematary do RAMONES estrategicamente inserida na filme de adaptação (rs), porém sem dúvidas, A COISA está entre as histórias mais relevantes da obra de S.K., porque de certa forma encontramos nela algum diferencial, talvez por ser um tipo de épico acabe nos prendendo de tal forma que seu exagerado número de páginas não nos agrida, e a leitura torna-se um lento esclarecimento sobre o passado de cada personagem e sua relação com a coisa. A coisa no caso seria a soma de todos os medos e tensões que envolvia a atmosfera de cidade pequena da pacata Derry, a violência sugerida através de todas as máscaras e hipocrisias, frustrações e tristeza dos adultos, o mal estar da cidade. A coisa se apresenta como Pennywise, o palhaço dançarino, um ser monstruoso que surge vitimando crianças, que são as principais atingidas pela influência da coisa devido sua sensibilidade. Basicamente seria em tese a soma dos seus piores medos, daqueles inconcebíveis, de gelar suas mãos e a boca do estômago, fazer-te faltar o ar e fechar os olhos tentando desaparecer enquanto chora de soluçar sentindo um tipo de medo terrível enterrado no seio de sua infância.
Um detalhe é que também foi produzido uma adaptação do livro para a tv, o filme não merece muitos créditos por ao meu ver não capturar a essência da narrativa nem a tensão da história, mas já é considerado um "clássico" apesar de ter uma dos piores finais adaptados que já vi na minha vida, teve repercussão em alguma altura dos anos 90, pois então, colocarei juntamente com um link para o download do livro o filme anexado no post pra quem quiser ver online, mas reguardarei minhas críticas ao livro poupando-me assim de comentar as nhacas do filme. Ok!

Vamos a Ele.


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