Ou "Um Estranho no Ninho", já um clássico referente à
abordagem ao tema do Louco na sociedade, e de fato o filme trás discussões
importantes sobre a condição acerca do indivíduo na sociedade, seus desejos e necessidades, particularidades e
questionamentos sobre as padrões sociais que preservam todo o conceito de “normalidade” que
uma sociedade doente pressupõe serem inatas em seus sujeitos políticos e cívicos.
O filme é de 1975, embala-se bem na onda da contracultura dos anos
60, que se configurou numa base distorcida para cultura pop, uma forma de
manter sob controle a prematura e espontânea cultura jovem emancipada dos
valores tradicionais da sociedade, instigada intelectualmente e disposta a
quebrar muitos paradigmas. De certa forma o levantamento de questões sobre o
enquadramento social do individuo presentes no filme refletem um refluxo dessa
tendência nebulosa que visava abafar os desdobramentos políticos da cultura
jovem a partir dos anos 60, vale-se também ressaltar que é um período de efervescência
no mundo frente a difusão da cultura de massa, guerra fria e do vietman, dentre
outros fatores contribuíram para a contextualização histórica desta abordagem (que
não era novidade, desd’O Elogio da Loucura de Erasmo), reproduzida em outros
filmes até mesmo nacionais como Bicho de Sete Cabeças, que é um excelente filme
pois além de levantar questões sobre o enquadramento social do indivíduo
preconceitos, tensões sociais, e o tratamento desumano de exclusão oferecido ao
condenado “Louco”, também remonta discussões como relações familiares, paixão e
perda e etc.
O Estranho no Ninho se desenvolve através de uma plano mais singular em que não apresenta com profundidade o passado nem os conflitos de cada paciente, lidando principalmente com o agora e a situação em que estão inseridos na clínica.
O Estranho no Ninho se desenvolve através de uma plano mais singular em que não apresenta com profundidade o passado nem os conflitos de cada paciente, lidando principalmente com o agora e a situação em que estão inseridos na clínica.
Dirigido por Milos Forman, a história gira em torno de Patrick
McMurphy (o fodelão, Jack Nicholson) um jovem transgressor que finge ser louco
para se livrar do trabalho obrigatório na prisão, sendo então enviado para um
sanatório onde clima de repressão e monotonia deixaria qualquer homem a beira
de um colapso.
Essa atmosfera é transformada com a chegada de McMurphy, que acaba
por encontrar um lugar tão rígido, sombrio e cheio de regras quanto uma prisão,
e suas tentativas de subverter essa ordem massacrante que já parece natural da
vida dos que já estão ali perdendo a noção do tempo, que acaba por contaminar
os outros pacientes com seu contagioso senso de desordem.
McMurphy percebe que nem todos os pacientes que estão internados ali sofrem propriamente de algum
distúrbio que os desligue da dinâmica social, trata-se em sua hegemonia de desajustados sociais, pessoas que abandonaram os padrões e valores tradicionais, os esquisitos e diferentes, de forma que a clínica funcionava como um campo de concentração exclusivo para qualquer vibração que colocasse as normativas sociais em questionamentos, uma espécie de mecanismo para proteger suas estruturas de poder e articulações de dominação. Percebendo tal injustiça acometendo os pacientes da clínica, McMurphy faz de todos seus atos exemplos que refletem nos outros pacientes enquanto ensina-os lições já a muito esquecidas por eles naquele lugar, sobre confiança e amor-próprio, e faz isso simplesmente infringindo todas as regras.
"Sequestrando" os pacientes para um passeio de barco,
organizando uma festa dentro do sanatório com muita bebida, e algumas garotas
ou até mesmo lutando para assistir os jogos de baseball na tv. Mas McMurphy tem
um grande obstaculo no seu caminho. A enfermeira Ratched (Luise Fletcher).
Digo isso porque simplesmente essa é a enfermeira mais maldosa, fria, desgraçada, e cruel do cinema. Ela usa a pressão psicológica para conseguir a submissão total dos paciente, abusando de suas fraquezas emocionais para colocarem exatamente onde ela os quer, por baixo. Obedientes e calados.
Aposto, e assim quero acreditar, que todos já conhecem ou ouviram falar deste filme, por ser um clássico não é difícil encontrar na internet resenhas, análises e conteúdo sobre ele, mas é importante levantar relevância da questão central do filme, pois além de complexa é muito importante, principalmente em tempos que vemos a sociedade do espetáculo montando com seus mecanismos de coerção, vigilância e manipulação ilhas periféricos que são marginalizadas por justamente fugirem do seu “popular” ou condicionamento aceitável. Por mais que promovam as diferenças num âmbito subjetivo de experiência política e pessoal, como a originalidade de uma roupa ou corte de cabelo, valorizando a personalização como destaque, existe um refluxo que condena tudo e a todos de muitas formas. A então apresentada loucura não é se não um enquadramento social. A sociedade que determina o tipo de louco, ou loucura. Louco é o que não se encaixa, não segue o padrão. O Louco é o estranho no ninho. E loucura é perigoso, principalmente quando se pretende uma hegemonia de controle e poder sobre as pessoas.
E é isso que todas as formas de poder tentam evitar, o louco. O
diferente.
Porque a loucura é contagiosa.
Veja Online:
Ps: Para assistir recomenda-se que dê player e pause o filme, espere-o carregar por completo antes de inicia-lo para evitar que venha ser interrompido.
Ps: Para assistir recomenda-se que dê player e pause o filme, espere-o carregar por completo antes de inicia-lo para evitar que venha ser interrompido.
"Nos indivíduos, a loucura é algo raro.
Mas nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas,
Ela é a Regra"
- Friedrich
Nietzsche-




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